Ao tomar conhecimento dos resultados PISA, resultados esses que sempre serviram para justificar os ataques às politicas educativas, estranho que os resultados do PISA 2009 não sejam aproveitados agora, por aqueles que os sempre utilizarem como argumento, como o reconhecimento que afinal o caminho que foi seguido, foi o certo!
Pela primeira vez desde 1974 as políticas educativas foram executadas com vista à equidade no sucesso dos alunos e não nos interesses das corporações, Maria de Lurdes Rodrigues na Introdução no seu livro “A Escola Pública pode fazer a diferença “ faz seguinte referência (…) De facto, a polémica dos rankings teve um enorme mérito: trouxe para agenda das escolas e dos professores a questão dos objectivos de melhoria dos resultados escolares dos alunos . Mas teve também efeitos perversos sobre o conjunto do sistema de ensino. Um dos mais negativos foi a sofisticação dos meios de escolha dos melhores alunos por parte das melhores escolas. Diferentemente do que se tem argumentado, não foram as famílias que ficaram com mais informação para a escolha da escola para os seus filhos. Foram as Escolas que passaram a poder escolher e reservar lugares para os melhores alunos e portanto para aqueles com os quais o trabalho é mais fácil. Os restantes alunos, com os quais o trabalho pedagógico é verdadeiramente mais difícil ficam nas escolas que não tem práticas de escolha dos alunos. Neste sentido, a competição introduzida é negativa, melhora não a qualidade do trabalho pedagógico mas o mecanismo de selecção e de recrutamento do alunos. As escolas “boas” ficarão facilmente melhores, porque recrutam melhores alunos , e as escolas “ menos boas” enfrentarão tendencialmente mais dificuldades (…) (…) O PISA corresponde ao esforço mais consistente através do qual a OCDE procura obter resposta para as dúvidas sobre se os alunos têm hoje menos competências em matemática língua materna e ciências, mas sobretudos sobre a adequação do nível das aprendizagens às necessidades da vida actual. A série de dados já obtida é insuficiente para estudos longitudinais, mas é muito mais rica nas comparações entre diferentes países; e, sobretudo, dá indicações precisas sobre as dimensões que devem ser objecto de intervenção nos diferentes sistemas educativos (…)
Foi com esta percepção de olhar para os problemas como problemas e ter ideias para os resolver mesmo que para isso tivesse gerado conflitos, que Maria de Lurdes Rodrigues quanto a mim é a principal responsável pelos resultados do PISA 2009.