Quando um grupo de professores se junta e chega a conclusões que estes senhores chegaram deve ser muito triste. Sou mãe de 3 filhos e trabalho (não sou professora).
Se como mãe quero que os meus filhos, que frequentam a escola pública no concelho de Vila Franca (mas não na cidade), aprendam. Como profissional, esforço-me sempre para fazer o meu trabalho com a maior perfeição possível e para que no mínimo consiga alcançar os objectivos que foram traçados.
Por estes motivos acho que as conclusões desta reunião são assustadoras. Em primeiro lugar, porque me deixam a pensar se devo enviar os meus filhos para a escola, ou se pelo contrário devo ensiná-los em casa, uma vez que os professores se sentem incapazes de o fazer. Por outro lado, que brio profissional têm estes senhores, que não conseguem fazer o seu trabalho e ainda vêm a público confessá-lo. Lidar com crianças e adolescentes não é fácil, todos sabemos que especialmente a adolescência é uma altura de rebeldia. Mas isso não justifica tudo.
Afinal ser jornalista isento no mundo de hoje, também não é fácil; ser um contabilista honesto, sem ceder a pressões para falsear os resultados, de forma a entregar menos dinheiro ao Estado, também não é fácil. No entanto não é hábito ver estas classes profissionais virem a público dizer que o seu trabalho não presta.
Por um lado estou convencida que como diz a voz do povo: o respeito não se dá, conquista-se, se os professores respeitarem as crianças como indivíduos e se lhes mostrarem claramente que a relação entre ambos lados têm de se basear no respeito mútuo, talvez as relações melhorem. E atitudes como a destes senhores só mostram que os próprios professores não se respeitam. Penso que já é tempo de os professores deixarem de se lamentar que os meninos, são mal-educados em casa (até porque muitos professores são pais). Tal como os pais não podem culpar as más influências ou os professores, do mau comportamento ou insucesso escolar dos filhos. Mas que um grupo profissional se desresponsabilize assim do seu trabalho desculpem mas é triste e escandaloso.
Finalmente quero também deixar um lamento que a politização e instrumentalização de algumas associações de pais de Vila Franca de Xira e especialmente da Federação Regional, que pelos vistos continua sem se preocupar com a qualidade do ensino no concelho e em especial na cidade.
Nélia Oliveira
Publicado no “Mirante”
Outubro 4, 2009 at 8:11 pm
Gostaria de ressalvar que quando me referi neste comentário para “O Mirante”: à Federação Regional, me estava a referir à federação da região de Vila Franca de Xira (FapXira)
Mas se o Sr. Quintão quiser, pode generalizar para a Ferlap e até para a Confap.
Na verdade considero que neste momento, todos estes organismos se distanciaram das bases. Não estão em contacto com os pais e são constituídos por grupos de cidadãos que se juntam anualmente se auto-elegem e pensam isso lhes confere o direito de se proclamarem representantes dos país durante o resto do ano.